A poesia entra e sai sem pedir licença. No doce dos dias acolhe-se. No amargo rompe gritante o horizonte laranja. E fica, teimosa, até de novo querer ir embora.
Dogma. Definitivo. Categórico. Constante. Eterno. Adjectivação inútil. Palavra da negação. Conflito em entranhas recurvo Mutante em repulsa de mutação.
Avistada a diferença, A mudança, o novo a fervilhar Torce-se o espírito em defesa Racionaliza-se o pulso da fraqueza Seguro vence o néscio bem-estar.
Ainda o verde dos anos não me deixava reflectir sobre o que é isto da vida, já me efervescias a mente e me lembravas do que é viver.
Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Os teus textos ensinaram-me, moldaram-me, assim como ao mundo visto pelos meus olhos. Assim como à vida que me viveu.
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Cravaram-me interrogações nas malhas racionais da minha mente. Levaram-me a questionar o determinado. E a negá-lo.
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
Assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me sinto pensar.
Deram-me o entendimento das emoções, das angústias e incertezas, mostrando-me no espelho a naturalidade dos meus dilemas.
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é, Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou. Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que sogue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu ?" Deus sabe, porque o escreveu.
Estou deprimida. Ponto. Parece-me simples, natural. Mas não é assim para todos. Os homens, ao que parece, analisam as oscilações temperamentais sob um olhar longínquo, de estranheza e confusão. Não entendem. Acusam-me de ser mulher, portanto complexa, um nó que só ata e não desata, um vórtice tempestuoso. Acusam-me de não ser simples, linear, fácil e acessível. Pergunto: e não é bom? Não é atraente o ser complexo, diverso, difícil, que exige de ti? O contrário é vão. O contrário é básico, elementar, meu caro Watson.
Lykke Li Likely success... just lend her your ears.
Walking in the corner Picking over shoulders Waiting for my time to come Walking in the corner One day to the other Butter for my piece of bun Stepping, I'm stompin' I'm all gone Give me the tone And i'm all gone Yeah, i'm walking by the line Not here, but in my mind I'm working, I sweat, but it's all good I'm breaking my back but it's all good 'Cause i know i'll get it back Yeah, i know your hands will clap And I'm working, Yeah, i'm working To make butter for my piece of bun And if you say I'm not OK We mus-t go If you say there ain't no way that i could know If you say i aim too high from down below Well, say you're not 'cause when i'm gone You'll be callin' but i won't be at the phone And i'm hanging around 'till it's all done You can't keep me back once i had some No wasting time to get it right And you will see what i'm about 'Cause i'm working, I sweat, but it's all good I'm breaking my back but it's all good 'Cause i know i'll get it back Yeah, i know your hands will clap And if you say I'm not OK We mus-t go If you say there ain't no way that i could know If you say i aim too high from down below Well, say you're not 'cause when i'm gone You'll be callin' but i won't be at the phone (Walking in the corner Picking on my shoulder Waiting for my time to come) And if you say I'm not OK We mus-t go If you say there ain't no way that i could know If you say i aim too high from down below Well, say you're not 'cause when i'm gone You'll be callin' And if you say I'm not OK We mus-t go If you say there ain't no way that i could know If you say i aim too high from down below Well, say you're not 'cause when i'm gone You'll be callin' but i won't be at the phone
Bruto impulso o que lhe bate. Ergue-se e decide o dia. Será hoje. A noite havia sido de plumas. Os sonhos rendidos ao cansaço deixaram-se sonhar, em leve peso, e definiram passos por dar. A noite conselheira impôs-se e conquistaram-se as certezas. Trazidas na aurora, as decisões abriram o armário, vestiram o casaco e sairam, não sem antes se fortalecerem num pequeno-almoço.Os favos de mel no leite adoçaram a voz e pôde, então, calar a rispidez deturpadora da razão. Há feridas que não se podem lamber. A carne viva não sara. Será hoje. Saiu num disparo decidido. O Manta 1600 interrompeu o silvo da pressa que trazia e cumpriu a missão, mostrando o destino. Não era esperado, tampouco desejado. Os olhos encontraram-se na cruz do fogo e disseram a verdade. Sentiu-se de novo o silvo, mas já não era o seu. Não era fruto da pressa. A louca decisão dos sonhos de pluma em noite conselheira. Foi hoje.
Só pra dizer que te Amo, Nem sempre encontro o melhor termo, Nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo está tão perto do meu E o que digo está tão longe, Como o mar está do céu.
Só pra dizer que te Amo Não sei porquê este embaraço Que mais parece que só te estimo.
E até nos momentos em que digo que não quero E o que sinto por ti são coisas confusas E até parece que estou a mentir, As palavras custam a sair, Não digo o que estou a sentir, Digo o contrário do que estou a sentir.
O teu mundo está tão perto do meu E o que digo está tão longe, Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor, É bem melhor dizê-lo a cantar. Por isso esta noite, fiz esta canção, Para resolver o meu problema de expressão, Pra ficar mais perto, bem mais de perto. Ficar mais perto, bem mais de perto.
Criar. Começa-se por um esquisso. Porque acontece, simplesmente. E logo se descobre que existe um motivo. Um motivo que faz reflectir, que ensina. Que dói ou faz sorrir. Uma razão de elixir ou estricnina. Pode acordar-nos pela manhã ou apagar-nos na noite. Traz ventos de tempestade e acolhe na bonança. (É bom se nos acolhem na bonança. É mérito. É sinal do passo certo. É certeza de que nos amam. Que somos queridos. Não estamos esquecidos.)
O mote persegue a passos lentos o criador. Esconde-se na sombra colada a seus pés e tem querer. Só se manifesta em dias escolhidos, nasce em dias de magnânime expansão do recôndito. E dá-se a libertação, a catárse, eclode a arte.
Sempre prestei especial atenção às letras de canções.
Se a música é a roupagem voluptuosa e sensual que seduz, a letra, corpo vestido, não pode senão ter silhueta concordante e capaz de a envergar com elegância. Tem de lhe fazer jus em harmonia nos movimentos graciosos.
Agora, depois de um período de séria dedicação à escrita de letras de canções (Escrever Escrever, recomenda-se!), percebi melhor ainda este meu interesse, esta minha paixão pelas palavras musicadas. Percebi também quão grande é o Mestre Sérgio na mestria das frases para cantar, repletas de musicalidade e sentido.
Esta é a letra que mais venero. A letra que eu própria gostaria de ter escrito.
A letra que um dia gostaria que me cantasses. E sei que vais cantar.
Espalhem a notícia do mistério da delícia desse ventre Espalhem a notícia do que é quente e se parece com o que é firme e com o que é vago esse ventre que eu afago que eu bebia de um só trago se pudesse
Divulguem o encanto o ventre de que canto que hoje toco a pele onde à tardinha desemboco tão cansado esse ventre vagabundo que foi rente e foi fecundo que eu bebia até ao fundo saciado
Eu fui ao fim do mundo eu vou ao fundo de mim vou ao fundo do mar vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher
A terra tremeu ontem não mais do que anteontem pressenti-o O ventre de que falo como um rio transbordou e o tremor que anunciava era fogo e era lava era a terra que abalava no que sou
Depois de entre os escombros ergueram-se dois ombros num murmúrio e o sol, como é costume, foi um augúrio de bonança sãos e salvos, felizmente e como o riso vem ao ventre assim veio de repente uma criança
Eu fui ao fim do mundo eu vou ao fundo de mim vou ao fundo do mar vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher
Falei-vos desse ventre quem quiser que acrescente da sua lavra que a bom entendedor meia palavra basta, é só adivinhar o que há mais os segredos dos locais que no fundo são iguais em todos nós
Eu fui ao fim do mundo eu vou ao fundo do mim vou ao fundo do mar vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher vou ao fundo do mar no corpo de uma mulher bonita...