sexta-feira, junho 08, 2007

(des)Entendimento


Dias de vento sem tempo a rimar

Dorme-se a tempo de o vento soprar

Leva com ele a palavra a dizer

Eles não ouvem

O grito que tem

Não chega a voz que os faça entender


Rica garganta a teimar não falar

Gente amorfa prefere calar

Gasta a palavra que tem a dizer

Conformada que está

A gentinha de cá

Não chega a voz que os faça entender


Diz o que pensa num balbuciar

Embrulham-se os tons na vez de afirmar

Não encontra a palavra que tem a dizer

Deturpada a mensagem

Mudou-se a imagem

Não chega a voz que os faça entender



quarta-feira, maio 09, 2007

quinta-feira, abril 26, 2007

A Projecção dos Infantes

Facilmente se percebera, pelo último post, a latência da mente, incapaz de buscar a criação. Passada a menos frutífera fase de infortúnio diário e deprimente estado de espírito, volta a vontade de escrever.

Talvez razão da mais recente tranquilidade e equilíbrio, o tema parece, ainda assim, escassear. Mas regressou, tão somente (valha-nos isso) a vontade. Sem ela nada pode avançar. Comecemos, então.

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce» _ faça-se jus à tão sábia afirmação do Poeta. Ainda que, em cada uma das orações, a minha humildade obrigue à questão. Quererá Deus? Poderá Ele querer, se existe? E o homem, por sonhar, poderá fazer nascer a obra? Entenda-se, de facto, a obra? Obra menor, pelo menos, será. É a obra, por mais ínfima que seja, que sonhamos todos edificar. Queira Deus. ;)



Faltam-nos, contudo, Infantes com o mesmo ímpeto que a obra fez nascer. E lembro-me agora da incitação de alguém à data de ontem, dia em que a vontade de muitos homens, de um povo, se fez vingar: «Jovens, não se resignem!» Confesso a incapacidade de ficar indiferente a essas palavras. Confesso a emoção sentida que só se explica com a vontade de que tal aconteça. Mas, oh fatalismo da realidade, logo vislumbrei o rosto apático dos muitos jovens e potenciais infantes que diariamente me deixam adivinhar a inércia da humanidade que, ao invés das mãos dadas tem os braços cruzados. Ou, então, apostam noutras conquistas menos louváveis que a sociedade adulta lhes apontou como caminho. Ainda assim, pior que o voo de Ícaro é não querer voar.

Resta-me acreditar que nada é irreversível e sentir todos os dias que posso fazer algo para mudar este rumo. Creio nos jovens. Creio em mim. Creio na humanidade.

Creio que não devemos deixar de crer.

quinta-feira, março 15, 2007

A minha recusa

Hoje, a recusa. A recusa à reflexão. Cansa-me o arder da mente, esta angústia de não mais poder estar consciente. Porque não se sente apenas, bem ou mal, sem precisar da percepção disso mesmo? Esgota-se-me o poder de suportar o racionalismo. Pior porque envolto num ambíguo misticismo que confere ao sentimento uma dualidade insuportável. Se emoção e razão se opõem, em mim estão como irmãs. Busca estúpida esta, a de racionalizar o sentimento...! Merda! Complica-se esta deturpação do que é isto ou aquilo, mais ainda quando, ao escrever, se reflecte, batendo-nos na testa com força, a continuação da absurda demanda da explicação do que se sente. Confuso? Muito. Tanto que não identifico o parágrafo. Pode ser agora.

Será isto coisa de loucos? Espero que não. De artista? Está melhor. De gente simplesmente (ou complicadamente) instável? Parece-me cada vez mais que sim.
São estas as palavras de recusa daquele que não se encontra, que não escreve a direito nas linhas do tempo, que crescentemente reconhece no ser social o medo, que se descobre no descobrir dos outros. Missão: chega de missões. Pára de racionalizar!

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Importa-me o pormenor


Importa-me o tempo da vida mais do que o tempo de vida
Importa-me o livro da memória mais do que o livro de memórias
Importa-me o sumo da laranja mais do que o sumo de laranja

É no definido, no singular, na essência da particularidade,
No que para nós foi ou é
No que transcende a generalidade
E que ao peculiar do pessoal se aplica
Que reside o importante.

Importo-me com o importante
E só eu sei o que importa

E na fuga para a globalidade perde-se a essência
Escapa-se ao traço intimista
Do que sou, eu
Do que és, tu
E já não do que somos nós, ou vós

Distinguirmo-nos na homogeneidade do social
Desfaz a dispersão do global
Ergue a união do pessoal

Só com a perfeita concepção do pormenor
Se toma o todo do quadro por maior.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Sem título


Tem de doer ou viver a euforia. Ponto assente. Disso depende, está provado, o surgimento da Musa que teima em ser instável.
Se há glória, ela terá de ser cantada. Se não há, terá de ser chorada. Com ou sem lágrimas.
Lágrimas... manifestação incrível do ser humano. A expressão simples do elemento original, que tanto acarreta na sua existência. «Água e cloreto de sódio» não dissociados de tantos outros componentes dicotómicos não-materiais: dor e prazer, tristeza e alegria, euforia e disforia.

Sempre me perguntei: porquê salgadas?
Será bom mote para uma futura composição, poética ou em prosa. Mas hoje não.
A Musa teima em ser instável.

sábado, janeiro 20, 2007

Placebo-Pixies - Where is my Mind (live paris)
Feist - One Evening

The evening was long, my guesses were true
You saw me see you
That something you said, the timing was right
The pleasure was mine

The time and the place, the look on your face
Sincerest of eyes

If you're ready or not, the state of our hearts
There's no time to take

When we started both brokenhearted
Not believing
It could begin and end in one evening

We were caught by the light
Held on to the day till it became ours
The minutes went by, the cab is outside
There's no time to take

When we parted, moving on
And believing it could begin and end in one evening

When we started both brokenhearted
Not believing it could begin and end in one evening
When we parted, moving on
And believing it could begin and end in one evening

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Where Is My Mind

Aguardo que o YouTube me faça a gentileza de ceder um dos vídeos mais arrepiantes e exemplo do que é, verdadeiramente, a perfeita simbiose do talento... e ao vivo! O que se segue ajudará a acompanhar o magnífico que (espero) está a chegar. Enquanto não chega, ladies and gentlemen, the lyrics:


Ooooooh - stop
With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
But there's nothing in it
And you'll ask yourself
Where is my mind
Way out in the water
See it swimmin'
I was swimmin' in the Caribbean
Animals were hiding behind the rocks
Except the little fish
But they told me, he swears
Tryin' to talk to me to me to me
Where is my mind
Way out in the water
See it swimmin' ?

With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
If there's nothing in it
And you'll ask yourself
Where is my mind
Ooooh
With your feet in the air and your head on the ground
Ooooh
Try this trick and spin it, yeah
OooohOoooh
Pixies (& Placebo)

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Morre lentamente


Hoje um poema que há muito não recordava e sempre vale a pena recordar.
Ao lê-lo calam-se os meus queixumes, ergue-se a vontade, apercebo-me do sol e quero ganhar asas para voar sobre o mundo.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...

Pablo Neruda

terça-feira, janeiro 09, 2007

Just because

Just because time goes on and when we look back we find out we haven't even noticed... just because...

This is my life
Its not what it was before
All these feelings I've shared
And these are my dreams
That I'd never lived before
Somebody shake me
Cause I
I must be sleeping
Now that we're here
So Far Away
All the struggle
We thought was in vain
All in the mistakes
One life contained
They all finally start to go away
Now that we're here,
So Far Away
And I feel like I can face the day
I can forgive
I'm not ashamed
To be the person that I am today
These are my words
That I've never said before
I think I'm doing okay
And this is the smile
That I've never shown before
Somebody shake me
Cause I
I must be sleeping
Now that we're here
So Far Away
All the struggle
We thought was in vain
All in the mistakes
One life contained
They all finally start to go away
Now that we're here,
So Far Away
And I feel like I can face the day
(...)

Staind

sábado, dezembro 23, 2006

Feliz Natal! (ou não...)

A todos um Bom Nataaaal!
A todos um Bom Nataaaal!
Desejo um Bom Nataaaal para todos vóóóóóós!

A quem não celebra esta época natalícia, que tenha dias muuuiiito felizes de igual maneira!

Àqueles não não ligam nehuma ao Natal, que sejam felizes com aqueles, ou aquilo, a que dão maior importância!

Aos restantes, ...bem...enfim...olha, que sejam muito felizes também!

Ah! E poucas prendinhas... o Natal é mais do que isso, lembram-se?

A Bela da Lamechice


Sei que não és de lamechices (muito menos no dia de hoje) mas eu sou. Portanto, vais ter de te aguentar ao que se segue.
Já lá vão uns anitos desde que uma menina, qual princesinha no seu castelo (que, pela descrição, só posso ser eu, claro) aprisionada na redoma da mãe protectora, contemplava, cá em baixo uma temível e traquina criança, que , a bem dizer, selvagem e em liberdade, mais parecia uma pequena corça segura do seu lugar.
Esta, cada vez com maior frequência, apercebia-se da princesita que, a medo, espreitava por detrás dos seus cortinados, e sonhava poder descer e correr ao lado da livre corça. Mas a criança livre, na plenitude da sua vontade, satisfazendo o que mais lhe apetecia, desdenhava a princesita (talvez por achar que, por estar lá no alto, se sentia superior... manias...).
Um dia, o destino une-as e encontram-se na sala de aula. Sala de cheiro característico que até hoje não podem esquecer. E estou certa que, nesse cheiro, se difundia o aroma da bondade da professora que tanto ensinou e, por isso, a admiram até hoje( né?).
Daí em diante, tropeçando em esporádicas desavenças cujas razões ainda hoje lhes escapam (pois a corça primava...ou melhor, prima, por um mau feitio assumidamente levado da breca!), foram inconscientemente estreitando cada vez mais os laços que as uniam, nunca mais se libertando uma da outra.
Hoje sei que é mais que um casamento, sem dúvida. Connosco é, estou certa «até que a morte nos separe»... e mesmo assim... ;)
E nos "tlintlins" da memória secreta, esboço um sorriso. Mesmo relembrando o teu lado mais rufia, é alegre o momento em que em ti penso, porque te amo incondicionalmente e tenho certeza do que significamos uma para a outra.
Ah! E já agora, PARABÉNS maninha!(vá, goza lá agora, pois, pois, já chegaste aos trinta também..eheheh..calha a todos, ah pois é!)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

valor do que se não tem

Quando alguém se torna parte integrante
E presente nas nossas vidas,
Conotado de certezas, inquestionável parceiro,
Porto de abrigo e ouvido sempre atento,
Tendemos a não valorizar.
Está lá
À distância de um gesto,
A um passo dos momentos solícitos,
Disposto a tudo por todas as nossas más horas,
E tendemos a não valorizar.
A sorte é o bater da consciência
Que ainda lá vai estando
E, então, temos necessidade de cantar os que merecem.
E que, no fundo, sempre sabemos terem valor,
Apesar de os não valorizar.
Desprezível ingratidão das garantias esta
Que só comprova a insatisfação do ser
Se não tem é porque faz falta
Se tem...

segunda-feira, dezembro 18, 2006

O Meu Tempo



Há muito que te negligencio. Não é minha a culpa, ou pelo menos não se deve, desta feita, ao vazio da mente, à falta de um sopro. Deve-se à total falta de espaço no tempo para me sentar e escrever.
A vida tem fases em que não se permite viver-se a si própria. Deixa-se absorver pelo que se diz diginficar o Homem, mas que muito lhe rouba: o trabalho. Rouba-me tempo para dedicar aos que mais amo, àquilo que mais gosto de fazer, desgasta-me o sentido social, apaga-me o que sou, deixa-me vã e, diria mesmo, pouco interessante.
Pelo cansaço que se torna dono, de mim e do meu tempo, não tenho sequer tempo para me reflectir, isto é, pensar-me... e rever-me, olhar os meus gestos e atitudes, tarefa que não havendo resulta na estagnação do que sou, na redução do que me embeleza, por dentro e por fora.
E não significa isto que não ame o trabalho. Atenção! Amo o que faço, a quem me dedico. Mas faltam-me as condições, faltam-me as horas, falta-me também o reconhecimento neste mundo onde nos esquecemos dos outros, do elogio, do «gosto muito de ti», do «obrigada», do«és importante para nós», do «bom trabalho!».
E não significa isto que me sinta desamada ou que só avance na força da palavra que incentiva. Contudo, ela é importante. Falta-me o gesto, falta-me a palavra que me certifique do bem que faço, ou não. Falta-me, para o bem ou para o mal, a palavra.

domingo, dezembro 03, 2006

3 de Dezembro

Celebra-se hoje o 103º aniversário de nascimento. Não está esquecido. Parabéns!

sábado, novembro 18, 2006

CON TODA PALABRA

Lhasa de sela

quinta-feira, novembro 16, 2006

sexta-feira, novembro 10, 2006

o(s) nosso(s) filme (s)

A minha história do cinema divide-se em dois momentos: antes e depois de te conhecer.
Antes era meramente interessante, um entretenimento.
Depois tornou-se deslumbrante, absorvente, um hábito, um manjar que se devora com prazer. Embora no início da minha refeição, sinto-me já engordar, com um crescente e voraz apetite.

Eis algumas iguarias que para mim confeccionaste e que contigo devorei.



Recuando no nosso tempo, recordo Cyrano intensamente. Sempre que o revejo, renascem as emoções da primeira vez.









Peculiar película esta. Mágica, terna, é também música para os olhos. Fantástica a banda sonora. Ambos a adoramos.










Para estômagos mais resistentes, esta refeição. Os nossos consumiram-na com prazer.










Uma viagem que funde os opostos, no meu entender. A cultura, as idades, as vidas. E fomos levados com os protagonistas na redefinição temporária da vida.








Nossa querida Amelie. Tens ainda muito a ensinar aos Homem.
Amamos, como tu, os belos e ténues pormenores deste mundo cravado de paixões óbvias e supérfluas. Obrigada pelo petit déjeuner, a refeição mais importante do dia, qui ça da nossa vida.


Agora obrigada a ti, meu amor. És já um indispensável detalhe que preenche o todo da minha vida.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Reflexão II

Viajo pela blogosfera e encontro-o. Espreitem-no. Folheiem-no. Podem até rasgá-lo.
Sim! Aqui sabe-me bem o rasgo! E não menos o virar da página...

http://pawelwojcik.com/grandfathersgirls/